10 Outubro 2008

Memórias da Linha de Cascais (2)

Na sequência deste post ...









“… Toda a região de Carcavelos está retalhada em grandes fazendas. Parte delas pertencem a famílias distintas. Não é na povoação que habitam os mais representativos moradores de Carcavelos – é ao largo nas suas quintas.

Quinta Nova, do Barão, da Alagôa … Quinta do Junqueiro, da Bela-Vista, das Palmeiras, do Lameiro, da Cartaxeira, da Torre da Aguilha, da Costa, do Paulo Jorge, etc..

A Quinta da Bela-Vista, grande produtora de vinho, pertence hoje em dia ao Coronel Doria e tem uma linda e aparatosa moradia. A Quinta das Palmeiras, situada entre a Quinta do Barão e a Quinta do Marquês em Oeiras, era antigamente conhecida pelo nome de Quinta das Fôrras e pertence agora a um dos sócios da casa Manuel Vivas, de Lisboa, que ali construiu uma bonita moradia moderna. A Quinta do Lameiro pertence a uma viúva rica e generosa, D. Maria da Conceição Botelho, tem casa antiga, capela, terras extensas e férteis. A Quinta da Torre da Aguilha pertencia, antigamente, à Condessa do Camarido, que a vendeu a uma família inglesa, os Norton, os quais a transformaram numa granja D. João V e a enriqueceram com um imponente e luxuoso palacete, sob os planos e a direcção do Arquitecto Rebêlo de Andrade. Domina o monte no alto da Quinta, com seus varandins, seus torreões, seus telhados pontiagudos, Casa moderna, casa cómoda, mas de aparência antiga e solarenga. Goza da fama de ter sido construída no local de um antigo convento, cujas paredes foram aproveitadas para a obra nova. É sua actual proprietária a família Serrão Franco.

A Quinta da Costa alegrada com uma elegante casa moderna, pertence à Família Vasco D’Orey. A Quinta do Junqueiro, pertence ao Inglês William Knowles. Alonga-se à beira Mar e foi cortada em grande extensão, como aconteceu à Quinta Nova, pelas obras da Avenida Marginal. Deu-se, no terreno dessa Quinta, o histórico desembarque dos ingleses, na época da primeira invasão napoleónica. Foi ali a testa de ponte do exército estrangeiro que vinha ligar-se ao português para bater Junot. Ainda se notam no chão, entregue ao domínio da mata, as antigas obras de defesa do corpo expedicionário inglês, trincheiras, fossos, vestígios dos redutos de artilharia. Armas, botões, cartuchos, peças soltas de material artilhado, têm sido encontradas no seu terreno, ao ser trabalhado pela lavoura. Em redor destas quintas vastas, opulentas, enxameiam os pequenos casais, erguidos nuns palmos de chão arborizado e florido e com seu cómodo da pequena casa moderna e galante. O Casal das Flores, o Casal dos Ulmeiros … Neste último, vizinho da Quinta do Barão, exibiram-se há poucos anos, os mais requintados luxos de palácio medieval – as aparições de fantasmas! Infelizmente, os simpáticos visitantes dos sudários alvacentos, das correntes rangedoras, dos suspiros lúgubres, desaparecem do Casal dos Ulmeiros, sem deixar os créditos firmados, nem na casa nem na região…”

in “Memórias da Linha” de Branca de Gonta Gonçalo e Maria Archer

4 comentários:

Luís F. disse...

Os postais são simplesmente delirantes...

Pena que grande parte das Quintas virou blocos de cimento...

Bom Fim-de-Semana!!!!!


:)

Suzi disse...

Como não tenho a visão atual (que Luís F. tem), fiquei imaginando-me a passear pelas Quintas, numa charrete, vendo só beleza... só beleza!

mfc disse...

Foi bom ler esta continuação!
Tudo tem o seu tempo, mas aquele era bem mais genuíno!

Anónimo disse...

olá : )interessante o saber
as memórias