08 janeiro 2022

Leituras - “Contos Exemplares” de Sophia de Mello Breyner Andresen

 

« A viagem dos três reis” de Leopold Kupelwieser, 1825, (Diocese de Rouen)

“… Mas depois o seu olhar habituou-se ao novo brilho e ele viu que era uma estrela, uma nova estrela, semelhante às outras, mas um pouco mais próxima e mais clara e que, muito devagar, deslizava para Ocidente.
E foi para seguir essa estrela que Gaspar abandonou o seu palácio…”

“… E sobre o mundo do sono, sobre a sombra intrincada dos sonhos onde os homens se perdiam tacteando, como num labirinto espesso, húmido e movediço, a estrela acendia, jovem, trémula e deslumbrada, a sua alegria.
E Melchior deixou o seu palácio nessa noite…”

“…A estrela ergueu-se muito devagar sobre o Céu, a Oriente. O seu movimento era quase imperceptível. Parecia estar muito perto da terra. Deslizava em silêncio, sem que nem uma folha se agitasse. Vinha desde sempre. Mostrava a alegria, a alegria una, sem falha, o vestido sem costura da alegria, a substância imortal da alegria.
E Baltasar reconheceu-a logo, porque ela não podia ser de outra maneira.”

In “Os Três Reis do Oriente”, conto incluído nos “Contos Exemplares” de Sophia de Mello Breyner Andresen

06 janeiro 2022

Silêncio, please!

(Na Serra de Sintra, a ouvir o silêncio_Jan2020)

Toca, lá fora, o alarme de um carro. É um som estridente, daqueles muito, muito irritantes. A poluição sonora parece incomodar toda a gente, menos o dono que não aparece. Volto atrás no tempo, para ouvir o silêncio...

02 janeiro 2022

Cenários de Inverno (15) - No dia primeiro do ano




E mais uma vez cumprimos a tradição. Primeiro dia do ano, num alegre convívio de amigos na mágica Serra de Sintra. Boa comida, muita alegria, amizade a rodos, caminhada na floresta, o sol de inverno a espreitar entre as árvores e a dispersar a bruma. O cheiro da caruma,  o murmúrio das árvores, o ranger dos troncos. Um perfeito cenário de inverno, para o melhor início de ano... 

22 dezembro 2021

Isto é muito bonito!

Bárbara Bandeira & Carminho

Onde vais

Onde vais
Que se eu fico, daqui tu não sais
Vai acabar sempre por doer mais
E já nem isso eu posso mudar

Não sei quando tempo demora
Para esquecer a solidão
Que tu deixaste à minha porta
Ao levares o meu coração

Escondes o que queres dizer
Só pelo medo de me ver sofrer
Mas não dá

Nada nos une, só nos mantém
E tudo muda, nós mudámos também
Talvez o amor seja assim
Mas tudo o que eu quis para mim já não há

Onde vais
Que se eu fico, daqui tu não sais
Vai acabar sempre por doer mais
E já nem isso eu posso mudar

Diz-me se vais ou não vais
Nem sei se ligo ou deixo passar
Espero que seja o tempo a curar
Que já nem isso eu posso mudar
Acorda-me quando acabar

O tempo que passou por mim
Fez escalar a minha voz
Foi contigo que aprendi
O que é amar alguém a sós

Sonhos que desperdicei
As canções que eu não cantei por ficar

Nada nos une, só nos mantém
E tudo muda, nós mudámos também
Talvez o amor seja assim
Mas tudo o que eu quis para mim já não há

Onde vais
Que se eu fico, daqui tu não sais
Vai acabar sempre por doer mais
E já nem isso eu posso mudar

Diz-me se vais ou não vais
Nem sei se digo ou deixo passar
Espero que seja o tempo a curar
Que já nem isso eu posso mudar
Acorda-me quando acabar

Mas se esta canção foi feita p'ra ti
Talvez isso mude o que ainda não vivi

Então diz-me se vais ou não vais
Nem se ligo ou deixo passar
Espero que seja o tempo a curar
Que já nem isso eu posso mudar
Acorda-me quando acabar
 

Letra: Ivo Lucas, Bárbara Bandeira, Carminho

Música: Bárbara Bandeira, Ivo Lucas, Carminho, Phelipe Ferreira, Tyoz


21 dezembro 2021

Cenários de Inverno (14) Solstício de Inverno

Guincho (Foto minha)

Um dos meus dias preferidos do ano! Chega o Inverno e com ele a noite mais longa do ano, mas... a partir de amanha, aumenta diariamente a luz diurna, minuto a minuto. De acordo com as lendas pagãs, saímos das trevas e entramos na luz!

09 dezembro 2021

Dezembro, sinónimo de canções de Natal (1)

Coldplay - Christmas Lights

Christmas night, another fight
Tears we've cried, a flood
Got all kinds of poison in
Of poison in my blood

I took my feet to Oxford street
Trying to right a wrong
"Just walk away" those windows say
But I can't believe she's gone

When you're still waiting for the snow to fall
It doesn't really feel like Christmas at all

A group of candles on there flicker
Oh they flicker and they float
And I'm up here holding on to all those chandeliers of hope
And like some drunken Elvis singing
I go singing out of tune
Saying how I always loved you, darling
And I always will

But when you're still waiting for the snow to fall
Doesn't really feel like Christmas at all
Still waiting for the snow to fall
It doesn't really feel like Christmas at all

Those Christmas lights
Light up the street
Down where the sea and city meet
May all your troubles soon be gone
Oh Christmas lights keep shining on

Those Christmas lights
Light up the street
Maybe they'll bring her back to me
Then all my troubles will be gone
Ohh Christmas lights keep shining on

OOhh

Oh Christmas lights
Light up the street
Light up the fireworks in me
May all your troubles soon be gone
Those Christmas lights keep shining on

19 novembro 2021

Hoje será sempre o teu dia!

Hoje há festa no céu! 

Imagino-te a celebrar os teus 88 anos, sentada à volta da mesa com as tuas manas, a aquecerem as mãos numa chávena de chá!

Parabéns minha mãe!

30 maio 2021

Cenários de Primavera (1)

 

Foto da minha amiga Amélia

Estação Fluvial de Belém, há duas semanas. O Tejo, a ponte, o Cristo-Rei, os barcos que se cruzam no rio. Tínhamos acabado de regressar de Porto Brandão, no Ferry que se vê na foto. Fomos lá almoçar e explorar a pequena e pitoresca localidade. Já eram quase seis horas da tarde, de um dia de primavera agradável e tranquilo. O nosso olhar perde-se no azul do céu e do rio. Há uma luz bonita no ar…

25 abril 2021

E os Homens formaram...

 “Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui.”

Salgueiro Maia – 25 de Abril 1974

 

20 fevereiro 2021

Cenários de Inverno (13)

(Foto minha, de hoje)

Chove! O dia amanheceu cinzento chumbo, como quem não quer deixar partir a escuridão da noite. Lá fora, o vento faz oscilar numa dança louca, o abacateiro que está em frente à janela.  Chega um sms da protecção civil a alertar para o estado de mau tempo aqui na região. Fico um pouco à janela a olhar para a intempérie, a ver a chuva cair. No telhado em frente, junto a uma pequena parede e bem encostadinhos uns aos outros, está uma fileira de pombos, em protecção contra o vento. Afinal a união faz a força e juntos são mesmo mais fortes. Penso que também há beleza num dia de chuva. E não tarda nada a Primavera está aí e as andorinhas voltarão a voar…