Convento da Arrábida, foto de uma visita há duas semanas
A 5 minutos de entrar de férias, com a secretária já arrumada e a caixa de correio electrónico finalmente limpa (yeah!!!!), estou aqui a pensar que tenho que vir limpar as teias de aranha ao blog...
Tenho andado em arrumações cá por casa e uma das coisas que encontrei foi um diário dos meus tempos de adolescente. Numa página correspondente a um Sábado do mês de Maio de 1973, tinha então 15 anos, encontrei colada num canto, a playlist de uma festa de garagem, organizada com os meus amigos de então. É um verdadeiro tesouro e não, não é de todo deprimente! Aqui fica a foto da parte da frente e a descrição em baixo. Vou fazer uma série de publicações com estas músicas, que acabaram por marcar anos e momentos muito bons :)
Whiter Shade of Pale –Procol Harum
Black Dog – Led Zepellin
Spring, Summer Winter and Fall – Aphrodits Child
Let it be – Beatles
Sunshine and Rain – Alan Price
Carlos Santana with Buddy Mills
School’s Out – Alice Cooper
Slade Alive – Slade
Song for Beginners – Graham Nash
L.A. Woman – Doors
Very’eavy, Very’umble –Uriah Heep Catch Bull at Four - Cat Stevens
Seventh Sojourn - Moody Blues
Rock and Roll Music to the World – Ten Years After
Acabei ontem de reorganizar a minha biblioteca. Já tinha uma grande quantidade de livros que depois de lidos iam simplesmente ocupando espaços livres nas prateleiras e o caos começou a instalar-se. Deixou de haver sequência e quando precisava de algo específico, já demorava a encontrar. Foi uma tarefa morosa porque quando começo a mexer nos livros, dou por mim sentada no chão a folhear um outro mais especial e a perder-me na leitura. Mas, enfim, está feito. No meio da tarefa dei com a história do macaco do rabo cortado que comprei há pouco tempo numa ida à feira da ladra. Um livro de grata memória, pois foi o primeiro que requisitei (numa versão da Salomé de Almeida) na biblioteca da minha escola primária (S. Domingos de Rana), tinha então 8 anos. Nunca mais me esqueci. Tenho ainda guardada, com um prazer imenso, a requisição desse livro datada de 28/04/66, assinada pela minha inesquecível professora primária Maria Emília Varanda. Foi ela que me introduziu na leitura, uma paixão que nunca mais me abandonou...
Há datas que têm que ser celebradas. O 25 de Abril é uma delas, mesmo que muita coisa se tenha entretanto perdido pelo caminho. O facto de ter a liberdade de estar a escrever sobre isso neste momento, basta por si só para celebrar a data. Para mim, o Capitão Salgueiro Maia será sempre o rosto dessa liberdade. 25 de Abril, sempre!
Gosto de cactos. Sempre gostei. E não é porque, basicamente, são as únicas plantas que consigo manter com vida cá por casa. Uma das razões prende-se com facto de serem plantas do deserto e eu ter um enorme fascínio pelo dito. A outra é mesmo por causa das belíssimas flores que, ciclicamente, iluminam estas plantas de forma algo esplendorosa. São normalmente frágeis e de curta duração, mas sempre de uma minúcia única e de beleza estonteante. Gosto muito!
Era todo um ritual. Primeiro a escolha do aroma, logo seguida do bule adequado. Depois vinham as chávenas ou as canecas. Sim, porque se há chás que se bebem em chávenas de delicada porcelana, outros há que só serão devidamente saboreados se servidos numa caneca que possa contar uma história e que se segura com as duas mãos. A hora do chá era o seu momento preferido do dia. Punha uma toalha bonita na mesa e preparava dois, três ou quatro lugares, dependendo do espírito do momento.Se estava para poucas conversas era só para si e mais um convidado se, pelo contrário, a fase era de euforia, então seriam quatro à mesa. Tudo era feito com movimentos suaves e ritmados, antecipando o prazer do momento. Servia o chá acompanhado de pequenos biscoitos e de muita conversa. Lembrava histórias da sua vida passada, das viagens que fizera, das aventuras que vivera. Sempre num monólogo eloquente, vibrante e entusiasmado, acompanhado de muitos gestos. A ausência de resposta não parecia incomodá-la. No final levantava a mesa, não dando conta do chá por beber nas chávenas dos convidados ou dos biscoitos intocados nos seus pratos. Não dando conta da solidão, nem dando conta da vida que já não era. No dia seguinte, a hora do chá voltaria a ser o seu momento preferido do dia...