11 julho 2011

Cravos, flautas, violinos e muito mais…





Fotos da minha amiga Amélia

Sábado à noite na lindíssima cisterna do Forte de S. Julião da Barra houve música de câmara. Até nós chegaram os concertos para cravo, flauta e orquestra de Johann Sebastian Bach. O espectáculo gratuito, integrado no ciclo “IV Temporada de Música Antiga, Conde de Oeiras”, transportou-nos por alguns momentos a uma corte palaciana do Séc. XVIII. Não sei se a execução dos jovens músicos foi perfeita pois o meu conhecimento técnico é nulo, mas os meus sentidos, esses, ficaram em estado de graça. A beleza do espaço, a perfeição das peças musicais, a nobreza dos instrumentos e a harmonia dos executantes, fizeram com que aquela hora e meia voasse. Momentos únicos que nos fazem sentir felizes!

08 julho 2011

O carteiro toca sempre duas vezes!

Confirmo.

O carteiro da minha rua é jovem na idade, pois não aparenta mais de 30 anos, mas é um carteiro à moda antiga. Se tem correio registado para entregar e não o atendem à primeira (nas habitações onde sabe que costuma estar alguém naquela hora), continua a sua volta e depois regressa numa segunda passagem. Já quando sabe que nas casas existem pessoas idosas que demoram a levantar-se da cadeira para abrir a porta, depois de tocar uma primeira vez, aguarda alguns minutos e volta a tocar de novo até que o atendem. Identifica-se de forma clara e pausada e é gentil com elas, trocando dois dedos de conversa. Nunca se incomoda se nos cruzamos à porta e lhe perguntamos se há correio para nós. Interrompe a sequência da distribuição e sempre bem-disposto procura o nosso andar. Sei que se chama Paulo, traz sempre um sorriso no rosto e parece ser uma pessoa de bem com a vida…

07 julho 2011

13 junho 2011

Um tostãozinho para o Santo António….

Ontem voltei aos arraiais de Stº António em Lisboa. A última vez já tinha sido há uma boa dezena de anos. Não sou grande adepta de multidões e aqui isso é coisa que não falta, mas a verdade é que esta é uma noite muito especial e por isso mesmo adorei. Os amigos eram bons, a sardinha (congelada) até pingava no pão, o chouriço, do mais rasca que podia haver, era delicioso, o vinho, carrascão, como se queria, as farturas bem gordurosas e cheias de açúcar e canela, foram a sobremesa perfeita e a ginja que sabia a groselha, parecia vinda directamente das Caldas. Há os encontros inesperados, com pessoas que nos são queridas e vêm os beijos e os abraços. Há música por todo o lado e dança-se e canta-se e rimos muito e há um sentimento genuíno de alegria no ar. Compram-se manjericos e agradecemos ao Santo casamenteiro por nos levar à rua e fazer-nos felizes. Há grupos de crianças a pedir um tostãozinho para o Santo António… e nós damos e eles riem … e nós também…

07 junho 2011

“The little Green Guy”


Hoje quero falar-lhes das desventuras do filho do Sr. Pepineiro.
O Sr. Pepineiro que mora na horta do meu amigo Francisco, veio da Índia, mas tem familiares espalhados desde a Antiguidade, pela Europa, Ásia e África.

Contaram-me que o Tio Cristóforo Colombo de Génova trouxe o Sr. Pepineiro para a Europa e que, deste, nasceu uma enorme prole de pequenos filhotes; os pepinos.

Até há cerca de duas semanas os rapazes pepinos proliferavam em abundância pelas terras trabalhadas dos nossos vizinhos espanhóis e ainda de outros lugares, quando senão, se dá uma perseguição infernal a estes descendentes das cucurbitáceas.

Alguns humanos que passaram por um lugar chamado Hamburgo desataram a morrer, e algum detective muito apressado resolveu “ deitar “as culpas” para os pobres rapazes de côr verde.

Mas para ajudar á “festa“, estes conterrâneos que começaram a sucumbir, tinham que ser lá das terras da Frau Merkel.

Enfurecida, ela nem esperou pelas provas de acusação e formalizou rapidamente a culpa aos pobres arguidos.
Não é que, eles tenham saído a correr da suíte de qualquer Hotel Luxuoso, nem se tenham enroscado pelo corpo de alguma bela funcionária de Limpeza e muito menos tenham deixado esquecido o telemóvel em cima do aparador, mas a justiça cega alemã, nem quis saber.

O mal está lá para os lados dos PIGS e ponto final.

Não se discute mais!

Formalizada a culpa, começa a perseguição.

Primeiro atacou-se toda a familia espanhola que foi exterminada sem dó nem piedade, depois passou a Portugal, onde todos começaram a olhar para esta “gente“ como assassinos.
Era ver os esgares de ódio nos olhares incriminadores e os pobres lá se encolhiam envergonhados, nas prateleiras dos supermercados, ou nas bancas das praças e mercados.

De olhos baixos, já não conseguiam encarar o mundo com alegria, passaram a andar tristes, deprimidos e de tanto sofrer, a saúde foi-se ressentindo, acabando aos poucos por serem afastados como uns malvados e sanguinários bandidos.

Perseguidos como se dos Távoras se tratassem, foram parar á fogueira, não deixando compaixão aos seus lamentos de dor ao serem devorados pelas labaredas altas que os íam consumindo.
Os humanos podem ser muito cruéis, o ataque é sempre a sua melhor defesa.

Quase com a “raça“ extinguida, eis que sou supreendida por uma noticia ontem no noticiário da noite.

Então não é que os verdadeiros culpados podem ser os rebentos de Soja, ou os tomates, ou sabe-se lá mais o quê?

Fiquei perplexa, aquela mulher doida e todos os seus comparsas, tinham-se enganado, precipitaram-se, e sem provas, atiraram para a “escuridão“ da morte milhões de familias do Sr. Pepineiro.

Eu acho que deveriamos todos reabilitar o bom nome do Sr.Pepineiro e de toda a sua familia, proponho que todas as familias adoptem um pepino durante esta semana.

Eu já tenho o meu Green Guy e você?

CR, Junho/2011


A prosa é da minha prima CR e eu não resisti a publicá-la (solicitada a devida autorização, é claro)

25 maio 2011

Alentejanando mais um pouco (2)


Na procura de S. Miguel da Mota e do templo Endovélico, o nosso mini bus deixou a estrada principal e embrenhou-se por um caminho de terra batida, desembocando num monte alentejano, meio abandonado e pejado de cabras por todo o lado. Engano pensámos nós! Mas não! Eis que surge um pastor e confirma que sim… “é por ali, mas terão os senhores que ir a pé e andar uns 2km, é caminho bom… agora já vão aparecendo alguns turistas e a Câmara pôs aí umas placazitas de madeira a assinalar o trilho…”
E lá fomos por entre eucaliptos, chaparros, estevas e rosmaninho. Chegámos à ribeira de Lucefécit e demos com uma ponte de madeira meio destruída, com uma corda a funcionar como corrimão o que não impediu a travessia, afinal o espírito era aventureiro. Logo após, deparámo-nos com o monte rochoso. Após uma verdadeira escalada, descobrimos lá em cima que aquele não era o santuário pretendido, mas sim o primeiro “rochedo sagrado” onde teria tido início a adoração do deus Endovélico. O local, hoje designado “Rocha da Mina”, é fantástico e, em termos mágicos e paisagísticos, mais imponente do que o de S. Miguel da Mota. Foi uma aventura perfeita!

17 maio 2011

De novo e sempre o Alentejo! (1)

Fotos minhas e da minha amiga Zé: Portalegre, Maio 2011

No passado fim-de-semana rumámos a Portalegre atrás de José Régio. Ao Alandroal e Terena em busca dos vestígios do Deus Lusitano Endovélico e do seu culto ancestral.
A ideia surgiu na minha Comunidade de Leitores e foi num ápice que tomou forma.
Do programa Regiano constou, uma visita à Casa Museu e um encontro com o Grupo de Leitores de Portalegre, onde abordámos, entre outros, o conto de Régio, “Davam grandes passeios ao Domingo”.
Concluímos o ciclo José Régio com uma interpretação muito nossa do poema do escritor, “Toada de Portalegre”:

“Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
À qual quis como se fora
Feita para eu Morar nela...
……………………………........................
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
……………………..............…
Poema completo aqui.

Doce pecado!