13 junho 2011

Um tostãozinho para o Santo António….

Ontem voltei aos arraiais de Stº António em Lisboa. A última vez já tinha sido há uma boa dezena de anos. Não sou grande adepta de multidões e aqui isso é coisa que não falta, mas a verdade é que esta é uma noite muito especial e por isso mesmo adorei. Os amigos eram bons, a sardinha (congelada) até pingava no pão, o chouriço, do mais rasca que podia haver, era delicioso, o vinho, carrascão, como se queria, as farturas bem gordurosas e cheias de açúcar e canela, foram a sobremesa perfeita e a ginja que sabia a groselha, parecia vinda directamente das Caldas. Há os encontros inesperados, com pessoas que nos são queridas e vêm os beijos e os abraços. Há música por todo o lado e dança-se e canta-se e rimos muito e há um sentimento genuíno de alegria no ar. Compram-se manjericos e agradecemos ao Santo casamenteiro por nos levar à rua e fazer-nos felizes. Há grupos de crianças a pedir um tostãozinho para o Santo António… e nós damos e eles riem … e nós também…

07 junho 2011

“The little Green Guy”


Hoje quero falar-lhes das desventuras do filho do Sr. Pepineiro.
O Sr. Pepineiro que mora na horta do meu amigo Francisco, veio da Índia, mas tem familiares espalhados desde a Antiguidade, pela Europa, Ásia e África.

Contaram-me que o Tio Cristóforo Colombo de Génova trouxe o Sr. Pepineiro para a Europa e que, deste, nasceu uma enorme prole de pequenos filhotes; os pepinos.

Até há cerca de duas semanas os rapazes pepinos proliferavam em abundância pelas terras trabalhadas dos nossos vizinhos espanhóis e ainda de outros lugares, quando senão, se dá uma perseguição infernal a estes descendentes das cucurbitáceas.

Alguns humanos que passaram por um lugar chamado Hamburgo desataram a morrer, e algum detective muito apressado resolveu “ deitar “as culpas” para os pobres rapazes de côr verde.

Mas para ajudar á “festa“, estes conterrâneos que começaram a sucumbir, tinham que ser lá das terras da Frau Merkel.

Enfurecida, ela nem esperou pelas provas de acusação e formalizou rapidamente a culpa aos pobres arguidos.
Não é que, eles tenham saído a correr da suíte de qualquer Hotel Luxuoso, nem se tenham enroscado pelo corpo de alguma bela funcionária de Limpeza e muito menos tenham deixado esquecido o telemóvel em cima do aparador, mas a justiça cega alemã, nem quis saber.

O mal está lá para os lados dos PIGS e ponto final.

Não se discute mais!

Formalizada a culpa, começa a perseguição.

Primeiro atacou-se toda a familia espanhola que foi exterminada sem dó nem piedade, depois passou a Portugal, onde todos começaram a olhar para esta “gente“ como assassinos.
Era ver os esgares de ódio nos olhares incriminadores e os pobres lá se encolhiam envergonhados, nas prateleiras dos supermercados, ou nas bancas das praças e mercados.

De olhos baixos, já não conseguiam encarar o mundo com alegria, passaram a andar tristes, deprimidos e de tanto sofrer, a saúde foi-se ressentindo, acabando aos poucos por serem afastados como uns malvados e sanguinários bandidos.

Perseguidos como se dos Távoras se tratassem, foram parar á fogueira, não deixando compaixão aos seus lamentos de dor ao serem devorados pelas labaredas altas que os íam consumindo.
Os humanos podem ser muito cruéis, o ataque é sempre a sua melhor defesa.

Quase com a “raça“ extinguida, eis que sou supreendida por uma noticia ontem no noticiário da noite.

Então não é que os verdadeiros culpados podem ser os rebentos de Soja, ou os tomates, ou sabe-se lá mais o quê?

Fiquei perplexa, aquela mulher doida e todos os seus comparsas, tinham-se enganado, precipitaram-se, e sem provas, atiraram para a “escuridão“ da morte milhões de familias do Sr. Pepineiro.

Eu acho que deveriamos todos reabilitar o bom nome do Sr.Pepineiro e de toda a sua familia, proponho que todas as familias adoptem um pepino durante esta semana.

Eu já tenho o meu Green Guy e você?

CR, Junho/2011


A prosa é da minha prima CR e eu não resisti a publicá-la (solicitada a devida autorização, é claro)

25 maio 2011

Alentejanando mais um pouco (2)


Na procura de S. Miguel da Mota e do templo Endovélico, o nosso mini bus deixou a estrada principal e embrenhou-se por um caminho de terra batida, desembocando num monte alentejano, meio abandonado e pejado de cabras por todo o lado. Engano pensámos nós! Mas não! Eis que surge um pastor e confirma que sim… “é por ali, mas terão os senhores que ir a pé e andar uns 2km, é caminho bom… agora já vão aparecendo alguns turistas e a Câmara pôs aí umas placazitas de madeira a assinalar o trilho…”
E lá fomos por entre eucaliptos, chaparros, estevas e rosmaninho. Chegámos à ribeira de Lucefécit e demos com uma ponte de madeira meio destruída, com uma corda a funcionar como corrimão o que não impediu a travessia, afinal o espírito era aventureiro. Logo após, deparámo-nos com o monte rochoso. Após uma verdadeira escalada, descobrimos lá em cima que aquele não era o santuário pretendido, mas sim o primeiro “rochedo sagrado” onde teria tido início a adoração do deus Endovélico. O local, hoje designado “Rocha da Mina”, é fantástico e, em termos mágicos e paisagísticos, mais imponente do que o de S. Miguel da Mota. Foi uma aventura perfeita!

17 maio 2011

De novo e sempre o Alentejo! (1)

Fotos minhas e da minha amiga Zé: Portalegre, Maio 2011

No passado fim-de-semana rumámos a Portalegre atrás de José Régio. Ao Alandroal e Terena em busca dos vestígios do Deus Lusitano Endovélico e do seu culto ancestral.
A ideia surgiu na minha Comunidade de Leitores e foi num ápice que tomou forma.
Do programa Regiano constou, uma visita à Casa Museu e um encontro com o Grupo de Leitores de Portalegre, onde abordámos, entre outros, o conto de Régio, “Davam grandes passeios ao Domingo”.
Concluímos o ciclo José Régio com uma interpretação muito nossa do poema do escritor, “Toada de Portalegre”:

“Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
À qual quis como se fora
Feita para eu Morar nela...
……………………………........................
Lá num craveiro, que eu tinha,
Onde uma cepa cansada
Mal dava cravos sem vida,
Poisou qualquer sementinha
Que o vento que anda, desanda,
E sarabanda, e ciranda,
Achara no ar perdida,
Errando entre terra e céus...,
E, louvado seja Deus!,
Eis que uma folha miudinha
Rompeu, cresceu, recortada,
Furando a cepa cansada
Que dava cravos sem vida
Naquela
Bela
Varanda
Daquela
Minha
Janela
……………………..............…
Poema completo aqui.

08 maio 2011

Hoje fui ao teatro!


Entre mestres de esgrima, de dança e de poesia, temos um aprendiz de fidalgo que a todo o custo pretende sê-lo. Na ânsia da subida fácil, acaba rodeado de intrigas. Todos engam e todos são enganados. Uma farsa com uma apresentação interactiva. Quando damos por isso, dançamos com os intérpretes pese embora os nossos (neste caso meus) dois pés esquerdos.
"O Fidalgo Aprendiz" de D. Franciso Manuel de Melo, no Teatro D. Maria.

Dos livros e dos amigos

Ontem fui à apresentação deste livro da autoria do Prof. Vasconcelos Raposo. Meu ex-colega de trabalho, continuamos a encontrar-nos frequentemente por questões profissionais. Agora é interessante conhecer esta sua outra faceta tão diferente do ambiente em que lidamos, o do desporto. Muito de vez em quando fazia referência à sua vida militar, sempre com uma ponta de emoção e orgulho. Apresso-me por isso, curiosa e interessada, na leitura desta sua obra. Conhecendo-o como o conheço, tenho a certeza que não vou sair defraudada.

07 maio 2011

Ele está de volta!

Desta vez vem vestido de gala, num branco e negro aveludados e coberto por uma plumagem prateada. Vai celebrar 25 anos! Está a crescer de forma saudável e continua solidário até mais não. Como sabem vem sempre por pouco tempo, por isso procurem-no porque ele anda por aí e é muito fácil de encontrar. Os meus vieram da Cercioeiras, a segunda casa do meu filho.

Saudade