04 maio 2011

E só tem 3 anos!

Ontem encontrei um senhor amigo que não via há uns tempos e naquela troca habitual de perguntas e notícias da família, falava-me com entusiasmo do neto de 3 anos, puto reguila, sempre cheio de perguntas e reflexões. Não resistiu a contar-me a última do neto que achei deliciosa. Em conversa com o avô dizia-lhe: - oh avô quando for grande vou ser astronauta e vou comprar uma nave e vou à lua e levo-te comigo. Quando chegarmos lá saímos e pomos assim o pé no chão (e exemplificava com o pé). O avô concordou e disse que sim, que estava combinado. Alguns dias depois o neto voltou lá a casa mas vinha com um ar emburrado e de braços cruzados sobre o peito. Que se passa G? - perguntou o avô. Estou chateado, já não podemos ir à lua, porque afinal as naves são muito caras ….

03 maio 2011

Tablets

Não, não falo de tabletes de chocolate, mas sim daqueles novos ecrãs portáteis que traz toda a gente maluca. Não substituem os portáteis, uma vez que são um complemento e mesmo assim as vendas disparam e Portugal é um dos países da Europa onde se prevê uma maior procura no ano corrente. Decididamente essa coisa da crise é só mesmo para alguns sectores: o pão, a água, a electricidade, a gasolina e por aí….
Notícia daqui

Adenda, ainda em tempo: eu própria, numa primeira tentação e após ter estado a brincar com um, quase, quase, fui atrás, mas depois pensei nas prioridades :)

28 abril 2011

E alternativas, não há?

Para além de tudo isto, também as 3 televisões de canal aberto em Portugal, optaram por transmitir em directo a real boda.

Está certo, é preciso animar as pessoas com a cena cor-de-rosa, porque isto anda tudo muito desanimado com a crise, já ninguém ri, não há outro tema de conversa e blá, blá, blá … mas vamos lá: as três em directo? Não é um bocadinho de mais não?


27 abril 2011

Sinais dos tempos modernos

Em França um empregado da France Telecom suicidou-se, juntando-se a um rol de mais de 4 dezenas de outros trabalhadores da mesma empresa, que nos 3 últimos anos tiveram idêntica atitude. Efeitos da crise profunda que afecta os Estados dito modernos que, pese embora a enorme evolução económica, tecnológica, científica e afins, se esqueceu do principal: do ser humano na sua verdadeira essência.

25 abril 2011

Liberdade, sempre!

Trova do Vento que Passa
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
eo vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Doce pecado!