14 setembro 2009

Das maçãs


Ontem uns amigos ofereceram-me umas maçãs, provenientes duma Quinta que fica à beira do Rio Lima. Maçãs verdadeiramente biológicas, bonitas no aspecto e deliciosas no sabor. Enquanto como uma dessas maçãs, apetece-me fazer um post e de repente até percebo que isto das maçãs é todo um mundo. Desde a praia, até à matemática, passando mesmo por um portal, há muito por onde escolher…

09 setembro 2009

Surrounded by Jazz & Blues

A minha diva desta semana é a Billie. Não resisti ao bom preço da caixa com os 10 cd’s e agora aqui estou eu … working, singing and dancing (yes dancing!!) with Billie and her jazz & blues …. A vida é bela, ah pois é !!! Se quiserem ouvir aqui a Miss Holiday…

07 setembro 2009

Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quizz

- Desiludimo-nos porque criamos expectativas demasiado elevadas ou porque o objecto das nossas expectativas não se esforça por corresponder às mesmas?

03 setembro 2009

Teatro a custo zero

Atenção povo das redondezas!
Começa hoje e vai até ao dia 13 de Setembro, a I Mostra Internacional de Teatro em Oeiras. Há muitos e bons espectáculos gratuitos. Programa inteirinho aqui. Divirtam-se!

01 setembro 2009

Conto

Fotografia emprestada daqui
Momento de Outono

O dia nascera solarengo, o que ajudava a minimizar os efeitos do frio de Outono, que tinha chegado de forma ríspida, quase a querer fazer uma entrada directa no Inverno. O jardim estava tranquilo, nas suas cores quentes da estação. Os caminhos agora transformados em tapetes tecidos por folhas castanhas e laranjas atraíam as crianças, nas suas brincadeiras e risadas.
O rapazito chegou com o seu acordeão pendurado no ombro, olhou em volta e decidiu-se por um banco de pedra junto ao fontanário do jardim. Tinha um aspecto franzino a rondar os 12 anos. Vestia umas calças de ganga surradas, uma camisola de lã azul escura com gola alta e um casaco de fazenda cinzenta, que lhe ficava grande de mais. Na cabeça, um boné com um emblema desportivo. A roupa, apesar de modesta e de parecer muito usada, tinha um ar de bem tratada. Pousou com uma delicadeza extrema o acordeão. Despiu o casaco, que virou ao contrário e dobrando-o com o maior cuidado, colocou-o ao lado do instrumento musical. Arregaçou as mangas e mergulhou as mãos na água da fonte, lavando-as energicamente, como se quisesse retirar qualquer resquício de poeira que por lá tivesse ficado. Sacudiu-as no ar espalhando uma miríade de gotas de água, o que acabou por assustar dois pombos que entretanto se tinham aproximado, numa curiosidade pateta, debicando aqui e ali. Sentou-se no banco, tirou o boné e pousou-o ao seu lado, virado ao contrário. Puxou o acordeão para si, ajeitou-o, abriu-o e fechou-o por três vezes num leque de escalas musicais, respirou fundo, fechou os olhos e começou a tocar.
Numa espiral em crescendo, a música encheu o ar. A melodia, inesperadamente harmoniosa e sedutora, parecia contar uma história. As pessoas que passeavam pelo jardim, atraídas pelo som, aproximaram-se aos poucos, acabando por formar um semi-círculo em torno do pequeno artista e do seu acordeão. A magia daquela música inundou tudo e todos, numa emoção de sentimentos comuns. A genialidade presente, naquilo que parecia ser uma execução perfeita, aliava-se à beleza da melodia e à inspiração do local. Tudo se conjugou para um momento perfeito. Quando as últimas notas se diluíram, houve um segundo de silêncio suspenso no ar e depois os aplausos irromperam num entusiasmo feliz. Sorrindo timidamente, o jovem agradeceu num aceno reconhecido. As moedas caíram no boné em descanso. Cumprida a sua missão o rapazito colocou as moedas no bolso e o boné na cabeça. Vestiu o casaco e com um gesto seguro voltou a colocar o acordeão pendurado ao ombro. Partiu, levantando folhas pelo caminho e deixando atrás de si um rasto de magia no ar ….
Custódia
Agosto 2009

Anatomia de um Vírus (3)