07 setembro 2009

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quizz

- Desiludimo-nos porque criamos expectativas demasiado elevadas ou porque o objecto das nossas expectativas não se esforça por corresponder às mesmas?

03 setembro 2009

Teatro a custo zero

Atenção povo das redondezas!
Começa hoje e vai até ao dia 13 de Setembro, a I Mostra Internacional de Teatro em Oeiras. Há muitos e bons espectáculos gratuitos. Programa inteirinho aqui. Divirtam-se!

01 setembro 2009

Conto

Fotografia emprestada daqui
Momento de Outono

O dia nascera solarengo, o que ajudava a minimizar os efeitos do frio de Outono, que tinha chegado de forma ríspida, quase a querer fazer uma entrada directa no Inverno. O jardim estava tranquilo, nas suas cores quentes da estação. Os caminhos agora transformados em tapetes tecidos por folhas castanhas e laranjas atraíam as crianças, nas suas brincadeiras e risadas.
O rapazito chegou com o seu acordeão pendurado no ombro, olhou em volta e decidiu-se por um banco de pedra junto ao fontanário do jardim. Tinha um aspecto franzino a rondar os 12 anos. Vestia umas calças de ganga surradas, uma camisola de lã azul escura com gola alta e um casaco de fazenda cinzenta, que lhe ficava grande de mais. Na cabeça, um boné com um emblema desportivo. A roupa, apesar de modesta e de parecer muito usada, tinha um ar de bem tratada. Pousou com uma delicadeza extrema o acordeão. Despiu o casaco, que virou ao contrário e dobrando-o com o maior cuidado, colocou-o ao lado do instrumento musical. Arregaçou as mangas e mergulhou as mãos na água da fonte, lavando-as energicamente, como se quisesse retirar qualquer resquício de poeira que por lá tivesse ficado. Sacudiu-as no ar espalhando uma miríade de gotas de água, o que acabou por assustar dois pombos que entretanto se tinham aproximado, numa curiosidade pateta, debicando aqui e ali. Sentou-se no banco, tirou o boné e pousou-o ao seu lado, virado ao contrário. Puxou o acordeão para si, ajeitou-o, abriu-o e fechou-o por três vezes num leque de escalas musicais, respirou fundo, fechou os olhos e começou a tocar.
Numa espiral em crescendo, a música encheu o ar. A melodia, inesperadamente harmoniosa e sedutora, parecia contar uma história. As pessoas que passeavam pelo jardim, atraídas pelo som, aproximaram-se aos poucos, acabando por formar um semi-círculo em torno do pequeno artista e do seu acordeão. A magia daquela música inundou tudo e todos, numa emoção de sentimentos comuns. A genialidade presente, naquilo que parecia ser uma execução perfeita, aliava-se à beleza da melodia e à inspiração do local. Tudo se conjugou para um momento perfeito. Quando as últimas notas se diluíram, houve um segundo de silêncio suspenso no ar e depois os aplausos irromperam num entusiasmo feliz. Sorrindo timidamente, o jovem agradeceu num aceno reconhecido. As moedas caíram no boné em descanso. Cumprida a sua missão o rapazito colocou as moedas no bolso e o boné na cabeça. Vestiu o casaco e com um gesto seguro voltou a colocar o acordeão pendurado ao ombro. Partiu, levantando folhas pelo caminho e deixando atrás de si um rasto de magia no ar ….
Custódia
Agosto 2009

28 agosto 2009

Feeling really good …

Última aquisição!
O trabalho em companhia da Nina torna-se leve e até apetecível. A sua voz ajuda a prolongar a doce sensação das férias, recentemente terminadas. Não consigo evitar e canto com ela ... “Oh Lord, please don’t let me be missunderstwood..”
Bom fim-de-semana!

24 agosto 2009

Férias à porta de casa

Por motivos vários, nem sempre nos é possível sair de casa para passar as chamadas “férias grandes”. Tal não significa que as mesmas não sejam agradáveis e retemperadoras. Tendo por companhia as pessoas que nos são queridas, partimos à descoberta de lugares que conhecemos bem, mas que, com todo o tempo do mundo, descobrimos numa nova forma, num outro olhar. Captamos detalhes que habitualmente não vemos, sentimo-nos turistas no nosso próprio habitat. Admiramos, usufruímos, partilhamos! Há todo um sem fim de aprazíveis sensações. Enfim, vivemos o que de bom nos aparece pelo caminho.




Literalmente à porta de casa: Chafariz e Igreja de S. Domingos de Rana e o jardim à frente da nossa porta. Por vezes não é preciso ir muito longe, porque a beleza está mesmo aqui à mão...



No Cabo da Roca, admirámos o farol e mandámos saudades para os nossos amigos do outro lado do Atlântico. Dali chegam sempre mais rápido…




O sublime Parque de Monserrate, na Serra de Sintra. A recuperação dos jardins e do palacete disponibilizou um espaço de enorme beleza e tranquilidade. Ali as horas passam mansamente. Perdemo-nos numa imensidão de verde entre os fetos, as árvores centenárias e uma tremenda quantidade de espécies florestais. O must da tarde, foi o chá que tomámos, rodeados deste esplendor.

A nossa praia de eleição, a da Cresmina no Guincho. Talassoterapia natural e sem custos. No mesmo dia tínhamos direito a bruma matinal, sol, vento, nevoeiro e sol outra vez… ondas fortes alternavam com momentos de total acalmia.



Alguns exemplares de belas casas em Cascais. Passear na vila continua a ser um prazer em constante renovação. Como atractivo adicional, estão a decorrer as festas do mar, com toda a sua habitual graciosidade.

03 agosto 2009

E com esta declaração...

... e a melhor das companhias, entrego-me ao doce sabor das férias...
Aproveitem-nas bem também, se for o caso!
Até à volta ...

Anatomia de um Vírus (3)